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5 Cuidados ao aderir a variação linguística em anúncios

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Uma das realidades brasileiras é a existência de variedade linguística. Estima-se que, no Brasil, existam mais de 180 dialetos, além do português, como língua oficial. Portanto, a variedade linguística é parte da cultura brasileira. 

Entretanto, há um fenômeno muito comum que é a consideração de determinados dialetos como inferiores ao idioma considerado “correto”, dentro da norma culta esperada. 

Isso faz com que haja o chamado preconceito linguístico com falas que não estão dentro do padrão.

Às vezes, o uso é simples e apenas é referente a algumas palavras adotadas para sinalizar algo, como chamar de farol o semáforo ou dar outro nome para sinalização vertical de regulamentação.

Apesar disso, a utilização de variação linguística é um recurso utilizado no marketing para se aproximar de determinados públicos e até mesmo, tornar a marca mais simpática e familiar aos olhos dos consumidores. 

Esse uso, contudo, tem lados positivos, mas também tem implicações negativas. Nesses textos, daremos algumas dicas de cuidados que devem ser tomados para que se extraia o melhor desse recursos e que se atinja o efeito esperado. 

Compreendendo a variedade linguística 

A problematização relativa ao preconceito linguístico não é nova, bem como o estudo da língua como elemento vivo e que se transforma também já é uma realidade entre linguistas, que compreendem que há um abismo entre a linguagem aprendida e a vivida. 

O caso é que muito se confunde quando se fala em variedade linguística. A principal confusão é entre dialeto e sotaque, pois muitos consideram a maneira que se fala diferente em razão de um sotaque como “falar outra língua”. 

Isso, porém, para os técnicos da área, não poderia estar mais distante da realidade pois o que realmente é considerado como uma ramificação do idioma é o uso de dialeto, que compreende não somente uma variação fonética, mas também gramatical.

O sotaque é apenas o som do falar que será diverso, ao passo que um dialeto é uma diferença da maneira que algo é dito, tanto do ponto de vista gramatical quanto também do léxico empregado. 

Assim, pode-se considerar, por exemplo, que a maneira de falar dos donos de quiosque modernos na praia é um dialeto, não somente pelo sotaque que podem apresentar mas também pela forma de construção da língua. 

O ponto principal é que, apesar da variedade linguística fazer parte do cotidiano, há ainda uma dominância no que é considerado o correto a ser falado, a maneira mais culta de se expressar no idioma. 

Essa é uma presença de classes sociais que têm domínio e que percebem a língua sendo vivida e por consequência óbvia alterada a cada dia, adquirindo mais significados que sejam presentes para que a pessoa possa melhor se expressar. 

Dessa forma, o preconceito linguístico aparece de maneira a desmerecer a forma que outra pessoa, de região diversa, se comunica, para que seja presente a unicidade da língua conforme é ensinada nos livros de gramática e aprendida na escola. 

Não somente o preconceito linguístico se dá quando falamos de regionalismos, mas também de falas que não estão de acordo com a normatividade naturalmente imposta, e usualmente, considerada a “correta”, falhando em entender a língua como viva. 

Se, por exemplo, é falado em porta fórmica e alguém se refere como “porta fôrmica”, causando crítica de outros, pode ser considerado preconceito linguístico. 

É nesse emaranhado de opiniões, dialetos e conceitos que os anúncios com variação linguística aparecem e devem tomar cuidado para que não caiam em armadilhas, ainda que a intenção seja positiva de homenagear e se aproximar de uma certa maneira de falar. 

Cuidados com a variação escolhida

Com a presença de diversos dialetos, que norteiam e mostram como a diversidade do país é abundante em termos culturais, pode-se pensar que uma empresa tenha dificuldade para definir qual a fala em uma propaganda escolhida. 

Isso, contudo, tem relação direta com o público-alvo e qual imagem que a empresa quer passar aos consumidores, dependendo de como ela busca se alinhar com aqueles que têm outras formas de se comunicar.

Assim, é importante tomar alguns cuidados para garantir que o uso de variação tenha o efeito esperado e adquira um tom natural:

  1. Não utilize expressões caricatas e associação entre fala e estereótipos;
  2. Não use a variação e narração em fala normativa;
  3. Não realize imitações de sotaque de forma incorreta;
  4. Aproveite bem a oralidade, mesmo em anúncios escritos;
  5. Cuidado com ruídos de comunicação.

Quando se fala no uso de variações em anúncios, deve-se ter a responsabilidade de entender que pode tanto realizar um serviço aos que utilizam a variação no dia a dia, validando essa linguagem e a popularizando. 

1- Evite expressões caricatas a associação entre fala e estereótipos 

No entanto, infelizmente, o contrário também pode acontecer. Quando se fala em aluguel de telão e se usa o linguajar caipira para dar dimensão do choque que o caipira tem ao se deparar com tecnologia, está se reforçando um estereótipo negativo. 

Nesse caso, o arquétipo em questão é o do caipira que não tem contato com o mundo moderno, que torna-se ignorante e alheio às novas tecnologias, portanto, incauto e pouco desenvolvido. Isso apenas reforça preconceitos. 

Entre os cuidados que devem ser tomados, está a utilização da variação linguística para se conectar com o público-alvo, para tornar a campanha mais acessível e familiar para aqueles que com ela terão contato. 

Isso pode significar, por exemplo, falar com uma linguagem mais próxima do público feminino quando se anuncia um pacote de massagem shiatsu

O que se deve ter em mente é que a linguagem é a primeira forma de aproximação, especialmente no marketing. 

Entender como seu público se comunica é um dos primeiros passos para uma estratégia de marketing bem sucedida, que é o esperado quando se trata de aderir a variação linguística a anúncios. 

Existem atitudes que jamais deverão ser feitas, sob pena de se aproximar de um público mas perder outro, que pode até promover o chamado “cancelamento” da marca.

Visto que, se entende em redes sociais que determinada pessoa ou marca que errou deve ser condenada ao ostracismo. 

2- Não use a variação e narração em fala normativa

Entre tais ações, está realizar o anúncio todo utilizando a variação linguística e ao narrar detalhes técnicos, se valer de outra linguagem. Isso torna uma boa estratégia péssima em poucos instantes. 

A explicação disso é que é considerado que a variação não poderá ser utilizada quando falamos de assuntos “sérios” e que deverá ser deixada de lado tão logo a comunicação já esteja estabelecida, o que é uma boa estratégia nunca. 

Se para falar de Sistemas de alarmes comerciais, foi utilizado o sotaque e léxico, bem como posições gramaticais, que são condizentes com um morador de Pernambuco, não se deve explicar os detalhes em um sotaque diversos, como o paulista. 

3- Não realize imitações de sotaque de forma incorreta

Outra situação que deve ser evitada a todo custo é a imitação incorreta de um sotaque ou de um dialeto, como é comum na forma de reduzir toda a pluralidade do falar de diversos estados do nordeste a tão somente um sotaque padrão “nordestino”. 

Isso acaba reduzindo as singularidades da variação linguística e faz com que o anúncio perca o foco principal: se conectar com pessoas através do uso correto da comunicação cotidiana que a pessoa já estabelece.

4- Aproveite bem a oralidade

O segredo, quando se fala em variação linguística, é justamente a realização do anúncio da forma mais natural possível, fazendo-se valer da oralidade para obter um resultado mais genuíno e próximo da variação em seu dia a dia. 

Quando se fala, por exemplo, em conserto fonte chaveada e se tem a intenção de um anúncio com variação linguística, é adequado se falar de forma menos formal e que traga elementos da comunicação oral para o anúncio. 

5- Cuidado com ruídos de comunicação

A propaganda, assim como a mídia, tem um papel importante na moldagem das mentes e dos ouvidos das pessoas, para que as diferentes maneiras de buscar como se expressar sejam respeitadas e passem a ser ouvidas. 

Dessa forma, o serviço pode ser mais do que simplesmente se conectar com seu público-alvo, mas sim trazer um novo olhar de todos os públicos sobre essa maneira de se expressar. 

Apesar de ser uma ferramenta com imenso potencial mercadológico, o uso de variação linguística deve obedecer alguns critérios e acompanhar uma posição de bom senso para garantir que não contribua para formação de preconceito linguístico. 

Considerações Finais

O ideal a ser buscado, não somente nas propagandas, mas sim, no geral, é que não haja o “certo” ou “errado” quando se trata do falar, mas sim a aceitação de que o idioma é vivo. 

Isso ultrapassa colocar uma expressão coloquial em uma placa de um projeto de stand, se apresenta como uma necessidade da sociedade, que o marketing pode ter um papel importante para suprir.

 
Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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